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O individuo é que é gente

Fernando Pessoa

Sol: Bisemanário Republicano, 4 de Agosto de 1926, p. 2.

SENHORES REFORMADORES!

O individuo é que é gente

Para reformar um paiz o principal é reformar os individuos que compõem esse paiz. De nada serve reformar a administração, as finanças, o magisterio se não se reformam, antes de mais nada, as pessoas que hão de orientar a administração, dirigir as finanças e exercer o magisterio. Toda a reforma é fútil se não atinge o individuo, unica verdadeira realidade social. Toda a reforma é inútil se não parte do individuo que atinge. Fortalecer um Estado é crear homens que fortaleçam esse Estado.

Neste caso é possível argumentar uma autoria pessoana deste breve reclame, publicado no Sol, como assinalou José Barreto, afirmando tratar-se de «um texto caracteristicamente pessoano tanto na forma como no conteúdo» (Barreto, 2012, p. 233). Como também assinala Barreto, são muitos os textos pessoanos que têm como assunto o individualismo, como por exemplo BNP 55-59, de um teor semelhante ao do texto publicado embora num outro contexto.