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Antipático futurismo

Álvaro de Campos

A República, 6 de julho de 1915, p. 1.

  • ANTIPATHICO FUTURISMO

    Os poetas do “Orpheu

    não passam, afinal, de creaturas de maus sentimentos.

    A nossa noticia de hontem ácerca de uma recita planeada pelos futuristas do Orpheu parece que não agradou a esses pobres maniacos. Pelo menos assim se deprehende de uma carta que hoje nos foi entregue, assignada pelo engenheiro e poeta sensacionista Alvaro de Campos, onde, a proposito, se insultam todos quantos fazem parte do jornalismo portuguez.

    Não nos indigna a injuria, apenas porque não offende quem quer mas simplesmente quem pode. Os cerebros destrambelhados do Orpheu não podem injuriar ninguem. Mas a carta contem uma repugnante allusão ao desastre de que foi victima o sr. dr. Affonso Costa, e essa faz-nos modificar bastante o conceito em que tinhamos os sensacionistas. Pobres maniacos? Não. Creaturas de vis e baixos sentimentos é que são todos quantos concordam com o irritante periodo final da referida carta, que é textualmente o seguinte:

    De resto seria de mau gosto repudiar ligações com o futurismo n’uma hora tão deliciosamente mechanica em que a propria Providencia Divina se serve dos carros electricos para os seus altos ensinamentos.

    Isto sim, indigna e revolta. E de hoje em deante, podem os futuristas, até ha pouco simplesmente ridiculos, agora ridiculos e maus, contar com uma nova forma do tratamento por parte dos jornalistas que estupidamente pretendem insultar.

  • ANTIPÁTICO FUTURISMO

    Os poetas do “Orpheu”

    não passam, afinal, de criaturas de maus sentimentos.

    A nossa notícia de ontem acerca de uma recita planeada pelos futuristas do Orpheu parece que não agradou a esses pobres maníacos. Pelo menos assim se depreende de uma carta que hoje nos foi entregue, assinada pelo engenheiro e poeta sensacionista Álvaro de Campos, onde, a propósito, se insultam todos quantos fazem parte do jornalismo português.

    Não nos indigna a injúria, apenas porque não ofende quem quer mas simplesmente quem pode. Os cérebros destrambelhados do Orpheu não podem injuriar ninguém. Mas a carta contém uma repugnante alusão ao desastre de que foi vítima o sr. dr. Afonso Costa, e essa faz-nos modificar bastante o conceito em que tínhamos os sensacionistas. Pobres maníacos? Não. Criaturas de vis e baixos sentimentos é que são todos quantos concordam com o irritante período final da referida carta, que é textualmente o seguinte:

    De resto seria de mau gosto repudiar ligações com o futurismo numa hora tão deliciosamente mecânica em que a própria Providência Divina se serve dos carros elétricos para os seus altos ensinamentos.

    Isto sim, indigna e revolta. E de hoje em diante, podem os futuristas, até há pouco simplesmente ridículos, agora ridículos e maus, contar com uma nova forma do tratamento por parte dos jornalistas que estupidamente pretendem insultar.

  • Namen

    • Afonso Costa
    • Álvaro de Campos

    Zeitschriften

    • Orpheu