English|Português|Deutsch

Canção ("Sol nulo dos dias vãos")

Fernando Pessoa

Ilustração Portuguesa,

11 de Fevereiro de 1922, p.129.

CANÇÃO

Sol nulo dos dias vãos,
Cheios de lida e de calma,
Aquece ao menos as mãos
A quem não entras na alma!
Que ao menos a mão, roçando
A mão que por ela passe,
Com externo calor brando
O frio da alma disfarce!
Senhor, já que a dôr é nossa
E a fraqueza que ela tem,
Dá-nos ao menos a força
De a não mostrar a ninguem!

FERNANDO PESSOA

Canção ("Sol nulo dos dias vãos") Fernando Pessoa Edição, Transcrição Pedro Sepúlveda Transcrição Pablo Javier Pérez López Modelagem de dados, Codificação Ulrike Henny-Krahmer Codificação Sviatoslav Drach Consultoria Institut für Dokumentologie und Editorik (IDE) Universidade Nova de Lisboa, Instituto de Estudos de Literatura e Tradição (IELT) Cologne Center for eHumanities (CCeH) 2017 Pessoa_Cancao-Sol-nulo-dos-dias-vaos.xml Canção ("Sol nulo dos dias vãos") Canção ("Sol nulo dos dias vãos") Fernando Pessoa Ilustração Portuguesa 11 de Fevereiro de 1922 129 Poesia

CANÇÃO

Sol nulo dos dias vãos,
Cheios de lida e de calma,
Aquece ao menos as mãos
A quem não entras na alma!
Que ao menos a mão, roçando
A mão que por ela passe,
Com externo calor brando
O frio da alma disfarce!
Senhor, já que a dôr é nossa
E a fraqueza que ela tem,
Dá-nos ao menos a força
De a não mostrar a ninguem!

FERNANDO PESSOA