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A Nova Poesia Portugueza Sociologicamente Considerada

Fernando Pessoa

A Águia 4,

Abril de 1912, pp.101-107.

A Nova Poesia Portugueza Sociologicamente Considerada

I

Ao movimento litterario representativo e peculiar da nascente geração portugueza tem sido feito pela opinião publica o favor de o não comprehender. E esse movimento que, sobretudo na poesia, com crescente nitidez accusa a sua individualidade representativa, não tem sido comprehendido, porque uma parte do publico, a que tem mais de trinta annos, está inadaptabilisavel, por já velha, a esse movimento, e consta, perante elle, de incomprehendedores-natos; porque outra parte, ou por circumstancias de bacharelosa especie educativa, ou por descuidada na manutenção espiritual do sentimento de raça, ou ainda por sentimentos de desviado e esteril enthusiasmo gerados por absorpção na intensa e mesquinha vida politica nossa, está collocada n'um estado de pseudo-alma descriptivel como sendo de incomprehendedores-de-occasião; e porque a outra, restante, aquella de quem são os novos poetas e litteratos e os que os acompanham no obscuro sentimento racial que os guia, não tomou ainda consciencia de si como o que realmente é, porquanto o movimento poetico actual é ainda embryão quanto a tendencias, nebulosa quanto a idéas que de si ou de outras cousas tenha.

Urge que - pondo de parte mysticismos de pensamento e de expressão, uteis apenas para despertar pelo ridiculo, que a sua obscuridade para os profanos causa, o interesse alegre do inimigo social - com raciocinios e cingentes analyses se penetre na comprehensão do actual movimento poetico portuguez, se pergunte á alma nacional, n'elle espelhada, o que pretende e a que tende, e se ponha em termos de comprehensibilidade logica o valor e a significação, perante a sociologia, d'esse movimento litterario e artistico.

II

Em primeiro logar, é evidente que aquillo a que se chama uma corrente litteraria deve de algum modo ser representativo do estado social da epoca e do paiz em que apparece. Porque uma corrente litteraria não é senão o tom especial que de commum teem os escriptores de determinado periodo, e que representa, postas de parte as inevitaveis peculiaridades individuaes, um conceito geral do mundo e da vida, e um modo de exprimir esse conceito, que, por ser commum a esses escriptores, deve forçosamente ter raiz no que de commum elles teem, e isso é a epoca e o paiz em que vivem ou em que se integram.

E se a litteratura é fatalmente a expressão do estado social de um periodo politico, à fortiori o deve ser, a dentro da litteratura, o genero litterario que mais de perto cinge e mais transparentemente cobre o sentimento e a idéa expressos - e esse genero litterario é a poesia.

Não é isto, porém, que de momento importa. Saber pela litteratura as idéas de uma época só pode ter interesse para a posteridade, que não tem outro meio de a tornar presente ao seu raciocinio. O que nos ocupa é saber se a litteratura nos poderá ser um indicador sociologico, se nos pode ser ponteiro para indicar a que horas da civilisação estamos, ou, para fallar com clareza, para nos informar do estado de vitalidade e exuberancia de vida em que se encontra uma nação ou época, para que, pela litteratura simplesmente, possamos prever ou concluir o que espera o paiz em que essa litteratura é actual. E é precisamente isto que à priori se não pode imaginar. Reportemo-nós, pois, á evidencia analysada dos factos.

Desbravemos, porém, o terreno, aclarando alguns termos essenciaes, e simplificando, para não sermos longos, as condições da analyse projectada.

Por vitalidade de uma nação não se pode entender nem a sua força militar, nem a sua prosperidade commercial, cousas secundarias e por assim dizer physicas nas nações; tem de se entender a sua exuberancia de alma, isto é, a sua capacidade de crear, não já simples sciencia, o que é restricto e mecanico, mas novos moldes, novas idéas geraes, para o movimento civilizacional a que pertence. É por isso que ninguem compara a grandeza ruinosa de Roma á super-grandeza da Grecia. A Grecia creou uma civilização, que Roma simplesmente espalhou, distribuiu. Temos ruinas romanas e idéas gregas. Roma é, salvo o que sobremorre nas formulas invitaes dos codigos, uma memoria de uma gloria; a Grecia sobrevive-se nos nossos idéaes e nos nossos sentimentos.

Servir-nos-hão de material para a analyse duas nações apenas - a Inglaterra e a França; e isto porque, tendo essas uma unidade nacional, uma continuidade de vida e uma influencia civilizacional accentuada, o problema se limita simplesmente á analyse que desejamos fazer, sem impôr, como imporia o estudo de qualquér nação ou mais complexa, ou mais affastada no tempo, uma previa analyse differencial. A escassez do material, porém, importa apenas quando é superficial a analyse; porque, se pour expliquer un brin de paille il faut démonter tout le systéme de l'univers Rémy de Gourmont, Le Chemin du Velours, ao raciocinador ideal bastaria, visto que o systema do universo se acha logicamente contido no brin de paille, analysal-o bem, a elle brin de paille, para deduzir o systema do universo.

Tomaremos a Inglaterra e a França para material de analyse. E tomaremos periodos nitidos, pois que o espaço não permitte a co-analyse de periodos litteraria- ou politicamente embryonarios.

III

A historia litteraria da Inglaterra mostra trez periodos distinctos, ainda que subdivisiveis em sub-periodos - o isabelliano, que vae de 1580 approximadamente até a um ponto pouco mais ou menos coincidente com o fim da Republica; o tratavel de "neo-classico" que, pouco depois começando, ocupa quasi todo o século dezoito, começando porém a morrer desde 1780, approximadamente; e o moderno, que vem desde então até aos nossos dias. D'estes tres periodos o primeiro impõe-se como por muito o maior, não só por ser mais alto o tom poetico geral do periodo, mas tambem porque as suas culminancias poeticas - Spenser, Shakespeare e Milton - põem na sombra quantos nomes illustres os outros dois periodos apresentem. - O segundo periodo é inferior aos outros dois: o tom poetico é aquelle, intoleravel, que a França do ancien régime derramou pela Europa de que tinha a hegemonia social. - O terceiro periodo contém figuras que, sem serem supremas, são como Coleridge, Shelley ou Browning, grandes indiscutivelmente.

Vejamos agora a que periodos politicos estas epocas litterarias correspondem. A epoca isabelliana corresponde ao periodo da vida inglesa cuja realisação foi feita pela Republica e na pessoa, preëminentemente, de Cromwell. Foi um periodo creador; n'elle deu a Inglaterra ao mundo moderno um dos grandes principios civilizacionaes que lhe são peculiares - o de governo popular, principio que depois a Revolução Francesa, parcamente creadora, simplesmente transformou no de democracia republicana. - O segundo periodo da vida politica ingleza, o que vem desde a queda da Republica, culmina na revolução, de mera substituição dynastica, de 1688, e vem morrer por 1780 nas almas, e de facto com a reforma eleitoral de 1832, é absolutamente nullo e estéril para a Inglaterra; n'elle ella nada creou, nem mesmo a sua propria grandeza, visto que a hegemonia social na Europa era então da França. N'este segundo periodo a Inglaterra não fez senão ir realisando, apathica- e frouxamente, o principio de governo popular que havia creado. - Também no terceiro periodo a Inglaterra nada creou de civilizacional; creou a sua propria grandeza e nada mais - visto que a hegemonia européa tem sido mais sua do que d'outra nação no seculo dezenove, conforme o vincaram para a historia Nelson em Trafalgar e Wellington em Waterloo.

Virando-nos agora para a França, e desprezando, como já dissémos, o embryonario e informe, vemos egualmente trez periodos, incoincidentes porém, no tempo, com os trez periodos inglezes. O primeiro periodo acompanha o ancien régime, culmina no tempo de Luiz XIV e dura até ao fim do seculo dezoito, emprestando o tom á litteratura européa. O segundo periodo, o romantico, começa depois da queda do ancien régime e vae terminando á medida que o republicanismo se vae realisando nas almas, de 1848 a 1870, approximada- mas incorrectamente. De então para cá, em seguida ao periodo (de 1871 a 1881 pouco mais ou menos) de lenta consolidação republicana, vem o terceiro periodo, aquelle a que caracterizam o realismo, o symbolismo e outros anti-romantismos (1). Uma analyse impossivel aqui, por demorada, mostraria como é socilogicamente certa esta divisão, em apparencia anti-historica ao ponto de ser de todo absurda - esta divisão e a que, de periodos politicos, vae a seguir.

Vejamos agora como se nos mostram os correspondentes periodos politicos. O primeiro, ancien régime, foi um periodo em que a França nada creou para a civilização, visto que creou apenas a sua propria grandeza e a correspondente hegemonia social européa, cujo reflexo longinquo e fraquejante é a influencia de que ainda gosa. O segundo periodo é aquelle que, precipitando-se na prematura Revolução Francesa, se vae realisando só depois, nas almas, de 1848 a 1870, pouco mais ou menos, e é n'este periodo que a França cria para a civilização a idéa de democracia republicana. Não a cria, é claro, tão creadoramente como a Inglaterra de Cromwell, que a origina no mundo moderno; torna-a porém mais intensa e nitida, desenvolve-a - o que é também, ainda que secundariamente, uma creação. Finalmente, no terceiro periodo, o de 1870 para cá, a França nada cria para a civilização, nem mesmo a sua propria grandeza cria, visto que decahe em valor européo: vae vivendo, como a Inglaterra no segundo periodo, e realizando, apathica- e despiciendamente, o principio de democracia republicana que em anterior periodo creára.

Posto isto, analysemos. Em primeiro logar é evidente a analogia, quanto a valor civilizacional, e, portanto, a vitalidade nacional, entre o primeiro periodo francez e o terceiro inglez, entre o segundo periodo francez e o primeiro inglez, e entre o terceiro periodo francez e o segundo da Inglaterra. Tão perfeita é a analogia social e civilizacional como a analogia litteraria. A litteratura ingleza atinge o seu auge no primeiro, a franceza no segundo periodo. São relativamente ricas, a inglesa no terceiro periodo, a franceza no primeiro. E a ingleza no seu periodo segundo e a franceza no terceiro seu estão no mesmo nivel de abatimento litterario perante os outros periodos. - Vemos, pois, que o valor dos creadores litterarios corresponde ao valor creador das épocas a que correspondem; de modo que a litteratura não só traduz as idéas da sua época mas - e é isto que importa que fixemos - o valor da litteratura, perante a historia litteraria, corresponde ao valor da epoca, perante a historia da civilização.

Avançando na analyse, porém, revela-se-nos que a posição chronologica das litteraturas se dá, relativamente aos correspondentes movimentos sociaes, de modo diverso nos trez periodos. Assim, no primeiro periodo, o creador, da Inglaterra, o movimento litterario que culmina em Shakespeare (entre 1590 e 1610) precede o movimento politico, que só começa ao decahir elle. E, em França, o movimento romantico vae decahindo á medida que se vae realisando nos espiritos o correspondente, e socialmente exuberante, movimento politico. - No segundo periodo inglez e terceiro francez, analogos como já vimos, a corrente litteraria vem depois da corrente politica que lhe corresponde; como em França se vê pelo apparecimento dos movimentos symbolista, realista e outros, claramente, nos annos que sucedem áquelles em que se consolidou a republica; e em Inglaterra pelo facto de Pope, em quem a corrente litteraria culmina (Dryden, talvez maior, é um poeta de transição, pertencente em parte ainda ao periodo anterior) sêr da geração seguinte á dos consolidadores da nova formula, caracteristica da época, a de monarquia constitucional. - No terceiro periodo inglez e primeiro francez temos a coincidencia no tempo entre a corrente e culminancias litterarias e o movimento e culminancias politicos. É sob Luiz XIV que a vida litteraria é de mais valor, e o movimento reformista inglez (de 1770 a 1832), que envolve em si as causas da hegemonia ingleza moderna e inclue as guerras em que ella se fixou, coincide com o romantismo britannico.

Examinemos agora quaes os caracteristicos interiores d'estas correntes litterarias. As correntes litterarias do segundo periodo inglez e o terceiro francez - aquelles periodos em que essas nações nada crearam, nem para os outros nem para si - offerecem como mais importante facto espiritual a desnacionalização da litteratura; visto que a litteratura ingleza do seculo dezoito é vazada em moldes francezes, e a litteratura franceza de 1880 para cá é tudo menos franceza de espirito. Assim, para dar o unico exemplo que o espaço pode admittir, o symbolismo, essencialmente confuso, lyrico e religioso é absolutamente contrario ao espirito lucido, rhetorico e sceptico do povo francez. - As correntes litterarias do terceiro periodo inglez e primeiro francez - as dos periodos em que os paizes crearam a sua propria grandeza e hegemonia social, mas, de civilizacional, nada - mostram um equilibrio entre o espirito nacional e a influencia estrangeira: assim, a influencia allemã é patente mas não dominante no romantismo inglez e a influencia da antiguidade tão importante como a do espirito nacional na litteratura dos seculos dezesete e dezoito em França. - Finalmente, nos periodos creadores - o primeiro inglez e segundo francez - temos na litteratura o espirito nacional patente e dominante, absorvendo e absolutamente eliminando qualquer influencia estrangeira que haja. Assim, nada mais francez do que Victor Hugo com a sua rhetorica, a sua pseudo-profundeza, a sua lucidez epigrammatica em pleno seio do lyrismo, onde não está bem. E Spenser, Shakespeare e Milton - mas Spenser e Shakespeare mais do que Milton - são inglezes, inconfundivelmente.

IV

Ainda que rapida, já ha n'esta analyse elementos para a apreciação ponderada da moderna poesia portugueza.

O primeiro facto que se nota é que a actual corrente litteraria portugueza é absolutamente nacional, e não só nacional com a inevitabilidade bruta de um canto popular, mas nacional com idéas especiaes, sentimentos especiaes, modos de expressão especiaes e distinctivos de um movimento litterario completamente portuguez: e, de resto, se fosse menos, não seria um movimento litterario, mas uma especie de traje psychico nacional, relegavel da categoria de movimento de arte para a, para este caso sociologico nulla, de um mero costume caracteristico.

O segundo facto a notar é que o movimento poetico portuguez contém individualidades de vincado valor: não são Miltons nem Shakespeares, mas são gente que se extrema, além de pelo tom, que é da corrente, pelo valor mesmo, d'entre os contemporaneos europeus, com excepção de um ou dois italianos, e esses não integrados em movimento ou corrente alguma que, distinctiva ou nacional, tenha sombra de direito a ser comparada com a hodierna corrente poetica lusitana.

O terceiro e ultimo facto que se impõe é que este movimento poetico dá-se coincidentemente com um periodo de pobre e deprimida vida social, de mesquinha politica, de difficuldades e obstaculos de toda a especie á mais quotidiana paz individual e social, e á mais rudimentar confiança ou segurança n'um, ou d'um, futuro.

Vistos estes elementos sociológicos do problema, salta aos olhos a inevitavel conclusão. É ella a mais extraordinaria, a mais consoladora, a mais estonteante que se pode ousar esperar. É ella de ordem a coincidir absolutamente com aquellas intuições propheticas do poeta Teixeira de Pascoaes sobre a futura civilização lusitana, sobre o futuro glorioso que espera a Patria Portugueza. Tudo isso, que a fé e a intuição dos mysticos deu a Teixeira de Pascoaes, vae o nosso raciocinio mathematicamente confirmar.

É que os caracteristicos que acabamos de descobrir no nosso actual movimento poetico indicam absolutamente a sua analogia com as litteraturas ingleza do primeiro, e franceza do segundo periodo, e, portanto, impõem que se conclua d'ahi a fatal analogia com as épocas de que aquelas litteraturas são representativas.

A analogia é absoluta. Temos, primeiro, a nota principal da completa nacionalidade e novidade do movimento. Temos, depois, o caso de se tratar de uma corrente litteraria contendo poetas de indiscutivel valor. E note-se - para o caso de se argumentar que nenhum Shakespeare nem Victor Hugo appareceu ainda na corrente litteraria portugueza - que esta corrente vae ainda no principio do seu principio, gradualmente porém tornando-se mais firme, mais nitida, mais complexa. E isto leva a crêr que deve estar para muito breve o inevitavel apparecimento do poeta ou poetas supremos d'esta corrente, e da nossa terra, porque fatalmente o Grande Poeta, que este movimento gerará, deslocará para segundo plano a figura, até agora primacial, de Camões Quem sabe se não estará para um futuro muito proximo a ruidosa confirmação d'este deduzidissimo asserto?

Pode objectar-se, além de muita cousa desdenhavel n'um artigo que tem de não ser longo, que o actual momento politico não parece de ordem a gerar genios poeticos supremos, de reles e mesquinho que é. Mas é precisamente por isso que mais concluivel se nos affigura o proximo apparecer de um supra-Camões na nossa terra. É precisamente este detalhe que marca a completa analogia da actual corrente litteraria portugueza com aquelas, franceza e ingleza, onde o nosso raciocinio descobriu o acompanhamento litterario das grandes épocas creadoras. Porque a corrente litteraria, como vimos, precede sempre a corrente social nas épocas sublimes de uma nação. Que admira que não vejamos signal de renascença na vida politica, se a analogia nos manda que o vejamos apenas uma, duas ou trez gerações depois do auge da corrente litteraria?

Ousemos concluir isto, onde o raciocinio excede o sonho: que a actual corrente litteraria portugueza é completa- e absolutamennte o principio de uma grande corrente litteraria, das que precedem as grandes épocas creadoras das grandes nações de quem a civilização é filha.

Que o mal e o pouco do presente nos não deprimam nem illudam: são elles que confirmam o nosso raciocinio. Tenhamos a coragem de ir para aquela louca alegria que vem das bandas para onde o raciocinio nos leva! Prepara-se em Portugal uma renascença extraordinaria, um ressurgimento assombroso. O ponto de luz até onde essa renascença nos deve levar não se pode dizer n'este breve estudo; desacompanhada de um raciocinio confirmativo, essa previsão pareceria um lucido sonho de louco.

Tenhamos fé. Tornemos essa crença, afinal logica, n'um futuro mais glorioso do que a imaginação o ousa conceber, a nossa alma e o nosso corpo, o quotidiano e o eterno de nós. Dia e noite, em pensamento e acção, em sonho e vida, esteja comnosco, para que nenhuma das nossas almas falte á sua missão de hoje, de crear o supra-Portugal de amanhã.

Fernando Pessôa.

  • Names

    • Alexander Pope
    • Arthur Wellesley Duke of Wellington
    • Edmund Spenser
    • Horatio Nelson
    • John Dryden
    • John Milton
    • Luiz XIV
    • Luiz de Camões
    • Oliver Cromwell
    • Percy Bysshe Shelley
    • Robert Browning
    • Samuel Taylor Coleridge
    • Teixeira de Pascoaes
    • Victor Hugo
    • William Shakespeare

    Titles

    • Le Chemin du Velours