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As causas longínquas da homenagem a Al-Motamide

Augusto Ferreira Gomes, Fernando Pessoa

O ʺNotíciasʺ Ilustrado , 22 de julho de 1928, p. 15.

  • As causas longinquas da homenagem a Al-Motamide

    A proposito da noticia por nos publicada o breve descerramento, em Silves, da lapide a Al-Motamide, recebemos a seguinte nota:

    «Em principios de 1914, veio a Portugal o Emissario especial do Concilio Pagão, com o fim de tratar, com os Mestres da Ordem Sebastianista, de um Acordo Supremo, a que efectivamente se chegou. Desse acordo advieram varios episodios, nacionaes e internacionaes, de diversa e oculta importancia, aos quaes não é lícito que nos referamos. Mas, dado tudo isto, era de esperar que, mais tarde ou mais cedo, houvesse de ser «feita» uma «animação» do espirito arabe, naquilo que era propriamente a transmissão do espirito pagão, e não na sua parte religiosa, inutil para qualquer das Direcções concordantes.

    «A homenagem, claramente pagã, á memória de Al-Motamide, wali de Silves, dispertará, nos poucos que já estão dispertos, a recordação do Grande Acordo de Março de 1914. Aparentemente, a ideia da homenagem nasceu em Espanha. Mas tanto os Despotas do Concillio Pagão, como os Mestres da Ordem do Encoberto, sabem os caminhos que seguirão, e os atalhos por onde hão-de conduzir os outros.

    «Os acontecimentos provocados, que foram «enfeixados» á meia-noite de 29 de Maio de 1928, terão em breve o seu termo oculto e o seu principio visivel. ― O. SO[rdem] S[ebastianista]

    A nota recebida, que acima damos á estampa, está, de facto, em acôrdo com o nosso entendimento. Aos pontos versados não nos referimos, porém, em a local que publicamos, por não julgarmos que isso fôsse de interêsse para o publico; mas, visto que tão espontaneamente os apresentam, eil-os publicados.

    A. F. G. A[ugusto] F[erreira] G[omes]

    No espólio encontra-se uma versão datiloscrita do texto, BNP 125-1, publicada em Sobre Portugal,1979, p. 139, com omissão das inicias ʺA.F.G.ʺ que sugerem a autoria de Augusto Ferreira Gomes, plausivelmente em conjunto com Pessoa. A edição ignorava ainda o facto de o texto ter sido efetivamente publicado no jornal, informação recuperada em Sebastianismo e Quinto Império http://www.pessoadigital.pt/pt/bibliography/Works_of_Fernando_Pessoa#
    bibl_SQI
    p. 383-384). A hipótese de participação de Pessoa neste conjunto de textos sobre Al-Motamide decorre, para além da presença de um testemunho no espólio, da ampla coincidência de vocabulário e propósitos com muitos dos textos reunidos nessa edição e, ainda, com o texto pessoano publicado como prefácio ao livro de Augusto Ferreira Gomes Quinto Império, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1934.
  • As causas longínquas da homenagem a Al-Motamide

    A propósito da notícia por nós publicada o breve descerramento, em Silves, da lápide a Al-Motamide, recebemos a seguinte nota:

    «Em princípios de 1914, veio a Portugal o Emissário especial do Concílio Pagão, com o fim de tratar, com os Mestres da Ordem Sebastianista, de um Acordo Supremo, a que efetivamente se chegou. Desse acordo advieram vários episódios, nacionais e internacionais, de diversa e oculta importância, aos quais não é lícito que nos refiramos. Mas, dado tudo isto, era de esperar que, mais tarde ou mais cedo, houvesse de ser «feita» uma «animação» do espírito árabe, naquilo que era propriamente a transmissão do espírito pagão, e não na sua parte religiosa, inútil para qualquer das Direções concordantes.

    «A homenagem, claramente pagã, à memória de Al-Motamide, wali de Silves, despertará, nos poucos que já estão despertos, a recordação do Grande Acordo de março de 1914. Aparentemente, a ideia da homenagem nasceu em Espanha. Mas tanto os Déspotas do Concílio Pagão, como os Mestres da Ordem do Encoberto, sabem os caminhos que seguirão, e os atalhos por onde hão de conduzir os outros.

    «Os acontecimentos provocados, que foram «enfeixados» à meia-noite de 29 de maio de 1928, terão em breve o seu termo oculto e o seu princípio visível. ― O. SO[rdem] S[ebastianista]

    A nota recebida, que acima damos à estampa, está, de facto, em acordo com o nosso entendimento. Aos pontos versados não nos referimos, porém, em a local que publicamos, por não julgarmos que isso fosse de interesse para o público; mas, visto que tão espontaneamente os apresentam, ei-los publicados.

    A. F. G. A[ugusto] F[erreira] G[omes]

    No espólio encontra-se uma versão datiloscrita do texto, BNP 125-1, publicada em Sobre Portugal,1979, p. 139, com omissão das inicias ʺA.F.G.ʺ que sugerem a autoria de Augusto Ferreira Gomes, plausivelmente em conjunto com Pessoa. A edição ignorava ainda o facto de o texto ter sido efetivamente publicado no jornal, informação recuperada em Sebastianismo e Quinto Império http://www.pessoadigital.pt/pt/bibliography/Works_of_Fernando_Pessoa#
    bibl_SQI
    p. 383-384). A hipótese de participação de Pessoa neste conjunto de textos sobre Al-Motamide decorre, para além da presença de um testemunho no espólio, da ampla coincidência de vocabulário e propósitos com muitos dos textos reunidos nessa edição e, ainda, com o texto pessoano publicado como prefácio ao livro de Augusto Ferreira Gomes Quinto Império, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1934.
  • Names

    • Al-Motamide