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Gladio

Fernando Pessoa

Cancioneiro do 1º Salão dos Independentes, 1930, pp. 21-22.

GLADIO

ao Alberto Da Cunha Dias.
Deu-me Deus o Seu gladio, porque eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me Seu em genio e em desgraça
Ás horas em que um frio vento passa
Por sôbre a fria terra.
Poz-me as mãos sôbre os hombros, e dourou-me
A fronte com o olhar;
E esta febre de Além, que me consome,
E este querer-justiça são Seu nome
Dentro em mim a vibrar.
E eu vou, e a luz do gladio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma!

O poema “Gladio“ foi publicado anteriormente em “Alguns Poemas” (Sacadura Cabral, Gladio, De um Cancioneiro), Athena, n.º 3, Dezembro de 1924, pp. 81-88. Para além de diferenças ortográficas, esta publicação apresenta a correção de uma gralha da primeira, lendo-se no início do terceiro verso da segunda estrofe “E esta febre de Além”.